Bússola política
Há uns dez anos, recebi por email a indicação do site abaixo, que possui um questionário para determinação de “postura política”.
http://www.politicalcompass.org/
Na época, considerei razoavelmente óbvio o meu resultado no teste e não dei muita bola para ele: por ser uma pessoa que se declarava “de esquerda” sem titubear, eu esperava mesmo que o teste me colocasse como um “libertário” e me posicionasse mais à esquerda no eixo econômico.
Apenas me surpreendi (e, confesso, me decepcionei) por ter ficado numa posição de “centro-esquerda econômica”. No fundo, foi o mérito que enxerguei no teste, naquela época: colocar perguntas que “pegam na veia” para identificar quem é realmente radical.
Os anos se passaram e, por volta de 2009, enquanto refletia sobre o fato de eu não ter mais a mesma postura econômica de outrora e andar me identificando com “a direita” em alguns aspectos, eu me lembrei do teste e resolvi fazê-lo novamente, por curiosidade (o site ainda existia!).
Ao notar que o resultado passara a me colocar economicamente no centro e que nada mudara na outra dimensão (ainda era um “libertário” – que elegante), finalmente dei valor à visão que o site propõe: rejeitar a escala linear que a maioria das pessoas usa para encaixar a visão política de cada indivíduo, em que ser “de esquerda” significa apoiar o casamento homossexual, o crescimento do Estado e a legalização da maconha, enquanto ser “de direita” significa ser contra o aborto, apoiar a privatização de empresas e se revoltar com as greves.
De fato, hoje em dia eu não me sentiria confortável em me declarar “de esquerda”, mesmo ainda apoiando totalmente a legalização das drogas, do aborto e do casamento homossexual, por exemplo. Mas agora enxergo que o motivo disso é bastante simples: essas não são visões particulares da esquerda. Na realidade, existem grupos de extrema direita, como este, que têm uma postura completamente favorável a essas “liberdades individuais”. São, a bem da verdade, liberais em todos os sentidos, o que estranhamente é capaz de dar um nó na cabeça de muita gente.
Identifico-me como “economicamente de centro” porque acredito que a atuação do Estado como “juiz” do mercado seja absolutamente necessária (visão de esquerda), embora encare sua atuação de “empresário” nesse mercado como algo que quase sempre deve ser evitado (visão de direita). Enxergaria como sistema ideal qualquer um que realizasse as seguintes funções (seja a combinação delas viável ou não):
- Assegurar que todos possuam os mesmos direitos e benefícios ao nascer e que ninguém seja privado de direitos e benefícios básicos ao longo da vida (exceção feita para alguns casos, como criminosos e “vagabundos”). Essa é uma visão de esquerda, certamente.
- Prover mais benefícios àqueles que, por meio de seus esforços e de seus talentos, derem mais contribuições para os outros. Esse incentivo à concorrência como elemento indispensável do desenvolvimento é uma visão de direita.
O mais interessante (e o que me fez escrever este post, para ser sincero) foi que ontem tive mais um momento “caiu a ficha”, enquanto lia um texto de um economista claramente de direita. No ponto em que ele afirmou que o salário das pessoas é determinado pela produtividade delas, eu desconfiei das intenções dele (afinal, que espécie de economista faria uma afirmação tão inocente?). No entanto, não consegui enxergar outra motivação nele que não seja simplesmente o excesso de fé em uma teoria elegante, o que muitas vezes bloqueia a percepção prática do óbvio.
Entendi, então, que uma diferença fundamental entre a minha postura econômica de dez anos atrás e a atual é que a escolha de uma teoria perfeccionista para resolver as contradições do mundo foi vencida pelo meu pragmatismo, que, junto com a experiência, me empurrou sem qualquer glamour para o entediante centro.
Luminária flexível
Estava numa conversinha besta sobre luminárias de mesa (lá no Facebook) e resolvi fazer um vídeo meia-boca para mostrar como funciona a minha, que é muito legal.
O ponto forte dela é justamente poder ser ajustada em todos os sentidos (a conversa era sobre luminárias reguláveis).
Agora, o que importa: comprei na Tok & Stok, há uns dois anos. Faça uma busca por luminaria facho no site deles e você vai achar (R$65,00).